26.3.08

Aos meus amigos da faculdade

Porque parece que eles tinham um antes diferente do meu. E o antes deles vinha antes do meu antes, mesmo sendo do mesmo tempo. Isso fazia com que eu os olhasse com olhos de quem via uma grande serpente colorida cheia de veneno. Essa serpente queria as vezes meu olhos pra ela. Que fazer desses lagos? Lagos pra mim tinham sempre sido vazios de sentido e de pessoas mas agora eram coloridos também e a músicas do disco sempre acabava antes de acabar. Era esse antes cheio de céu azul e tardes sozinhas com o sino batendo que ela desejava silenciosamente. Bem, as coisas eram sempre um pouco uns joelhos cansados, mas eram também uma certa percepção de que nada podia ser melhor que aquilo, um monte de gente junta sabendo que queria a mesma coisa de certa forma. “De certa forma” era sempre uma expressão que ela usava pra se expressar sem se comprometer muito. E sem digitar muitas diferenças. E de certa forma todos faziam tudo por medo de sentir uma palavra cheia de significados. A saudade talvez estivesse uns porcentos chegando por perto, a cada dia queriam mais a si mesmos. Manhãs azuis e tardes cinzas, apressadas ainda queriam mudar muitas coisas. O tempo indiferente ia passando, quanto mais se desprezava ele, mais depressa ele se ia. Horas. Minutos. Passando.

5 comentários:

Monique disse...

"Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo..."

e que continuemos nos dilacerando. Mais e mais e sempre.

Camila. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Camila. disse...

Texto gostoso de ler =)

Delon disse...

Nunca fui muito bem. Agora, de vez, já não sou mais. Mesmo assim vejo tudo como também sendo um pouco pra mim.
E eu, soberbo e ignorante, sinto - mesmo que o tempo tenha desfeito antes da hora a obra sempre inconclusa, hoje difusa - ... volto a dizer, sinto uma incrível paz confiante quando ando e convenço-me de que em muitos pequenos pontos do mundo pisa alguém. Um alguém que encosta o pé no chão de um jeito melhor do que se fosse qualquer um. Melhor até, incrível!, do que se fosse ninguém. Isso não é comum. Mas um ou outro canto do mundo é assim. E se não sabemos bem onde estão, podemos até nos convencer de que qualquer ponto desta epiderme mundana pode ser assim. E é. Ou não. Depende de quase tudo.

Gosto dos sentidos, aqueles, que, contra tudo, ainda sentem as sensações do mundo.

Antônio Conselheiro disse...

Acho que consigo entender alguma coisa, talvez um pouco menos do realmente eu acredite ter entendido, talvez a sensibilidade não me seja possível porque justamente no desenrrolar do meu tempo fui arrancado do seio do sonho e jogado no canto de um mundo que se desnudou como uma velha cheia de pus e varizes pelo corpo.

A beleza do parnaso e do tempo mítico da alma já não me é mais possível, por isso me desculpe se meus olhos só carregam tristesa e mágoa, mesmo qdo tento ser alegre não consigo ser além do última barreira de minhas defesa, que é minha ironia latente. me perdoe.

Me perdoe por acreditar que um abraço de consolo é só mais uma forma de se esconder e que fugir para dentro de sí é uma opção para áqueles que ainda podem.

Finalmente me perdoe por ser quem sou e mesmo assim agradeço por me agüentar todos estes anos. obrigado e feliz aniversário, mesmo que atradado.