3.10.10

Vasto vasto vasto



MunDo



cabe dentro do olhar.



deus:


aquela coisa imensa lá embaixo.





quem diz é o homem











construindo
o centésimo


andar



.
a árvore cria um traço
e nunca volta atrás
assim sou eu sem acaso
virei presa dos meus rastros
não consigo mais tirar
os sapatos que criaram meus passos

28.12.09

O que quero dizer com isso?
Que naquela manhã, quando você pegou o trem azul, isso foi muito além de poesia, se foi poesia eu fiz por merecer minhas preces de vê-la relinchar na minha frente e até dentro de cada veia minha.
Quero dizer é que quando você entrou naquele trem azul eu derreti inteira por dentro e por fora, porque eu me saía por cada buraco do olho e quase não dava tempo de tanta lágrima salgada sair, aquela luz da manhã, aquela manhã estranha, cinza que começa com sol e logo chove, aquelas pessoas indo trabalhar, com muito mais motivo pra chorar que eu, essa coisa mimada que não cresce, e se vê no direito de chorar de sentimento em plena terça-feira cinza dessa cidade feia e preocupada.
Não era isso o que eu queria dizer.
Queria dizer é que na hora pensei assim que não queria amar, não.
Se era isso que vinha buscando e só podia ser, pra ter encontrado tamanho problema, eu não queria mais.
Porra, como doeu te ver entrar naquela merda de trem!
Eu vi a face cruel do amor, essa coisa egoísta que não dá mais paz, que não deixa cada segundo ser qualquer coisa, que torna tudo meio escravo, viciado, besta.
Queria dizer é que.
Só conseguia era chorar.
Em pouco tempo, levou um pedaço de mim, e isso é muito mais que poesia.
Levou mesmo.
Não quer devolver.
Não vai devolver.
Eu não deixo.

3.12.09

Agora a lua não é mais uma mancha triste no céu.
É um pedaço da paisagem você.
Um pedaço.
A rua, os perfumes das manhãs, as pedrinhas na calçada.
Nada mais tem a paz de ser só o que é.
A lua, um pedaço de você.

Uma luz grande piscou
Feito um flash
Num bosque encantado onde tudo se iluminava
Em menos de um segundo
Tudo aconteceu
Uma voz me disse baixo.
E na hora eu disse sim.

27.11.09

Você, cavalo de fogo
Deixou seu rastro no meu lugar de formar lágrimas
Você ameaçou vôo
Você criou asas

Você sentado, fumando
Bonito, calmo, uma respiração
Podia ter durado, podia
Sua mão esbarrando a minha
No caminho das manhãs atrapalhadas

"Dói, mais quinze minutos
Que passe logo, nada demais.
Bobagem, é, nada demais."

Quando não espero
Você alçou vôo
Você bateu asas
Você deixou vazio o espaço que há pouco nem existia.
Quando não espero, me vejo besta
Quando não espero é quando espero.
Ardendo bem no meu lugar de nascer lágrimas.