19.5.09

atuar

Ser a palavra.
Ser o desejo.
Ser a paisagem.

Ser tudo, sendo nada.

Corpo, copo, passagem.

5.5.09

Foi agora, bem de pouco que olhei teu olhar pela última vez.

Seria sério e triste se não fosse tão banal.
Pano na mão, limpeza no guarda-roupa, sessão memória.

Teu olhar me olhou outra vez, esse teu olhar de devorar tudo em volta.

O impulso antes da palavra, como de costume, e tu viraste mil pedacinhos nas minhas mãos.

Sobraram os dois olhos de gato.

Os olhos sempre sobram inteiros.
Gato caindo em pé.

29.4.09

27.04.2009

O trem vem vindo, o sabemos antes de virar a curva, através dos pássaros que levantam vôo do confortável e rotineiro trilho.

A menina-bolha de água quer atravessar o buraco da fechadura. Então, escorre.

A menina espera em cima de um caco de chão.
O homem aproxima-se.
O homem cai no buraco armadilha.
A menina sente culpa, sem querer.

(Culpa é sempre sem querer)

O gol no olho, o ônibus no ponto, o objeto no desejo.

Olho, boca, unha, ventre.
Desenham.
Enviam.
Recebem.
O tempo todo - em todos os tempos, camadas de chuva em véu.

Ás vezes pode ser fatal.
Aí a menina pede desculpa.
Foi sem querer.

Foi?

27.3.09

Provocação

Se abríssemos todas as portas e derrubássemos todas as barreiras, haveria algum caminho?

24.3.09

vão - espaço, vazio e verbo.

olha o céu de novo enquanto corre do desconhecido e nele encontra o que deixou há tempos, as nuvens e estrelas com seu brilho diferente. pára, respira, abre o portão e entra.

esse brilho diferente que as coisas tem no outono.

será o outono?

também sua chegada e a volta da coragem de olhar pela janela, pro céu a noite.
encarar essa imensidão escura, colorida, pintada.

pinta um desenho na tela do sonho.
se tivesse agulhas faria uma tatuagem?
não.

mais descuido e escreveria uma carta pra alguém bem próximo, esse alguém bem
próximo-distante que agora está tão perto, ao alcance do telefone.

escreveria uma carta, bem rápido sem pensar muito na bobagem que é escrever uma carta.

impulso .
pulso.
do coração, esse vão entre o agora e o próximo segundo, essas coisas sem nome.
ela diria assim

algo como "obrigada por deixar voce aqui comigo.
Esse pedacinho.
que me dá essa coragem de olhar de novo pela janela.

encarar essa escuridão a noite.
chegaste junto com o outono.
as folhas vão cair, aquela coisa toda do vento beijando a pele no fim da tarde.

Gosto de outonos."