Ele olhou o céu e parou de imediato o caminhar. A luz do sol parecia ficar mais forte no cume do céu, mas o sol - ele mesmo - já estava pra lá do horizonte. De repente se sentiu ridículo parado no meio da praça central, pessoas esbarrando rápido. De repente se sentiu ridículo esperando algo.
Ela teve uma noite péssima. Sua cabeça estava dolorida e pesada, com os olhos tão inchados de chorar que certamente todos estavam pensando, pela rua, que ela apanhara do marido. Mas ela não era o tipo de moça que apanha do marido. Ela nem tinha adquirido um ainda.
E nem percebia, ela, que a maioria das pessoas nem via seus olhos nem pensava em qualquer coisa. Saiu de casa já tarde pra mudar de cenário. Achava péssimo morar no centro, mal abrir o portão do prédio e já dar de cara com o ritmo alucinante da vida. A vida. Odiava não ter tempo de se adaptar. Andou no próprio ritmo, por birra o da tristeza. Lento e cinza. Já passava das cinco e o sol baixo não cegava mais, então o viu.
Então o viu ali parado, ridículo bem no meio da praça, olhando pro céu e esperando sei lá o quê. Parou em frente e ficou esperando. Foi quando ele voltou a cabeça pra horizontal e a viu.
Os dois se reconheceram, na tristeza ridícula do outro. Deram as mãos e voltaram pra casa. Nenhuma nave, nenhum salvador, nem chuva, nem arcó-íris. Nada.
Além disso.
O extremo. Momento extremo em que o corpo arrepia e pede um pouco mais de vida. Situação limite. Loucura? Fluxo desgovernado do pensamento, sem pretensões estéticas de primeiro plano.
31.8.09
23.7.09
pensamentos flutuantes numa tarde chuvosa.
Cabeça fervilha. Será que a única maneira de estar minimamente confortável no mundo é pertencendo?
A algo. Estar por dentro. Time, grupo, tradição.
Nunca se é só o que se é.
Parece ridículo, pra não ser ridículo, tem de ser igual, "como antigamente", "como".
A gente só existe em relação a. Sim.
A barreira em direção ao novo esta sempre sendo reconstruída.
destruída também, mas porque reconstruída tantas vezes?
Sempre invocamos velhos preceitos, bandeiras, tipos, blá!
Gostar da tempestade, simplesmente?
Cresce, menina, cresce...
Algo em mim resiste e gosto desse algo. Acho que no fundo ele ta certo. Insisto.
Levantar qualquer questionamento, qualquer inconformismo, ou coisa que se discuta no coletivo? Inútil. Não há nada a ser feito. Parece que to falando de ficção.
Nada pode ser feito...
O caralho que não!
Tudo é feito o tempo todo pelas mãos calejadas de homens e mulheres.
Mãos com seus jogos e teclas azuis.
1984.
Cresce, menina... cresce!
Diz o censor que eu engoli. É, tem mais essa agora. Ou sempre teve.
Carrego ao meu lado os fantasmas das tradições.
Estrangeira. Exilada. Só. Muito só.
Engoli o opressor. que dor de barriga!
Massacrando o cérebro dos vivos... To sentindo, barbudo, to sentindo...
Algo em mim grita não, não não!
Eu gosto disso.
Nada pode ser feito?
Confio.
A algo. Estar por dentro. Time, grupo, tradição.
Nunca se é só o que se é.
Parece ridículo, pra não ser ridículo, tem de ser igual, "como antigamente", "como".
A gente só existe em relação a. Sim.
A barreira em direção ao novo esta sempre sendo reconstruída.
destruída também, mas porque reconstruída tantas vezes?
Sempre invocamos velhos preceitos, bandeiras, tipos, blá!
Gostar da tempestade, simplesmente?
Cresce, menina, cresce...
Algo em mim resiste e gosto desse algo. Acho que no fundo ele ta certo. Insisto.
Levantar qualquer questionamento, qualquer inconformismo, ou coisa que se discuta no coletivo? Inútil. Não há nada a ser feito. Parece que to falando de ficção.
Nada pode ser feito...
O caralho que não!
Tudo é feito o tempo todo pelas mãos calejadas de homens e mulheres.
Mãos com seus jogos e teclas azuis.
1984.
Cresce, menina... cresce!
Diz o censor que eu engoli. É, tem mais essa agora. Ou sempre teve.
Carrego ao meu lado os fantasmas das tradições.
Estrangeira. Exilada. Só. Muito só.
Engoli o opressor. que dor de barriga!
Massacrando o cérebro dos vivos... To sentindo, barbudo, to sentindo...
Algo em mim grita não, não não!
Eu gosto disso.
Nada pode ser feito?
Confio.
5.6.09
19.5.09
5.5.09
Foi agora, bem de pouco que olhei teu olhar pela última vez.
Seria sério e triste se não fosse tão banal.
Pano na mão, limpeza no guarda-roupa, sessão memória.
Teu olhar me olhou outra vez, esse teu olhar de devorar tudo em volta.
O impulso antes da palavra, como de costume, e tu viraste mil pedacinhos nas minhas mãos.
Sobraram os dois olhos de gato.
Os olhos sempre sobram inteiros.
Gato caindo em pé.
Seria sério e triste se não fosse tão banal.
Pano na mão, limpeza no guarda-roupa, sessão memória.
Teu olhar me olhou outra vez, esse teu olhar de devorar tudo em volta.
O impulso antes da palavra, como de costume, e tu viraste mil pedacinhos nas minhas mãos.
Sobraram os dois olhos de gato.
Os olhos sempre sobram inteiros.
Gato caindo em pé.
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